
(estrofe 1) Quando o sol baixa devagar, pinta de ouro o horizonte, parece o céu se preparar para abrir uma nova fonte. (estrofe 2) O dia não termina em vão, nem perde o valor por partir, deixa no céu uma lição: há beleza também no despedir. (estrofe 3) Vermelho, laranja e dourado se misturam no firmamento, como um sonho iluminado que se despede sem lamento. (estrofe 4) O sol, ao tocar o poente, não parece derrotado, mas entrega serenamente seu brilho a outro lado. (refrão) Se o dia chega ao seu fim, não pense que tudo acabou; há uma beleza dentro de mim que a noite ainda não apagou. (estrofe 5) Aprendo com o sol declinante a não temer conclusão, pois até o último instante pode florescer uma visão. (estrofe 6) A tarde se veste de festa, sem luxo, sem ostentação; e a natureza manifesta que simplicidade é celebração. (estrofe 7) Quem contempla o céu mudando aprende a deixar partir, sem prender o que está passando, sem impedir o novo de surgir. (refrão) Se o dia chega ao seu fim, não pense que tudo acabou; há uma beleza dentro de mim que a noite ainda não apagou. (estrofe 8) O horizonte recebe a luz como quem acolhe um legado, e o próprio silêncio conduz o olhar para o inesperado. (estrofe 9) Talvez envelhecer seja assim: trocar pressa por contemplação, perceber que existe um jardim até na curva da conclusão. (estrofe 10) Quando o último raio se desfaz e a noite começa a chegar, fica no coração a paz de quem aprendeu a contemplar. (refrão) Se o dia chega ao seu fim, não pense que tudo acabou; há uma beleza dentro de mim que a noite ainda não apagou.

