
(estrofe 1) Quando a tinta ousou perguntar, o púlpito temeu o espelho do verso, pois a arte aprende a revelar o silêncio escondido no universo. (estrofe 2) Alguns livros nasceram com medo, marcados por dedos de reprovação, como se o pensamento fosse segredo proibido à livre reflexão. (estrofe 3) Quadros foram cobertos por véus, palavras caíram em chão proibido, e ideias que buscavam os céus foram chamadas de ruído. (estrofe 4) Assim, a dúvida virou inimiga, o poema virou suspeição, como se pensar fosse intriga contra a ordem da religião. (refrão) Mas a verdade não teme pergunta, nem se esconde da imaginação, pois a luz que em Deus se junta respira livre na criação. (estrofe 5) O artista escreve com nervos de tempo, com olhos atentos ao sofrer, e o pensador abre no pensamento janelas que deixam ver. (estrofe 6) Mas quando o dogma fecha as portas com cadeados de autoridade, até as palavras ficam mortas na sombra da conformidade. (estrofe 7) E o templo que cala a poesia perde o eco da inspiração, pois Deus também fala na via do sonho e da contemplação. (refrão) A verdade não teme pergunta, nem se esconde da imaginação, pois a luz que em Deus se junta respira livre na criação. (estrofe 8) Houve um Mestre que contou histórias para acordar corações cansados, e fez da parábola memórias de mistérios compartilhados. (estrofe 9) Falou de sementes e caminhos, de redes lançadas ao mar, mostrando que os dons mais genuínos nascem livres para criar. (estrofe 10) Se a fé quiser respirar futuro, que permita o canto crescer, pois pensamento preso ao muro não aprende a florescer. (refrão) Onde a palavra encontra abrigo e a arte não teme expressão, ali a verdade caminha consigo na livre voz da criação.

