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Rosas do recanto eterno Josias Moreira de Alcantara

Se as rosas florescessem No divã do meu jardim, De ternura não morressem Vivendo perto de mim, Gerando um olor sem fim No orquidário do acalanto, Sem jamais haver um pranto No legado desse exemplo, Valorizando meu templo No esplendor desse recanto. Se as rosas mantivessem Para sempre o seu frescor, Junto a mim não padecessem Na roupagem, no sabor, No detalhe, em cada cor, Espargindo-se em beleza, Promovendo a natureza Com a mais sutil moral, Junto à luz exponencial No jardim da gentileza. Se as rosas me falassem Com perfume e emoção, Talvez me aconselhassem Com ternura e devoção. Na mais pura sensação, Seriam versos cantados Por ventos enamorados Que dançam sobre o canteiro Num silêncio verdadeiro De afetos eternizados. Se as rosas me envolvessem Com seu toque de calor, Meus dias se acendessem Com lampejos de amor. Seria um doce esplendor De cada pétala em festa, Onde a alma manifesta Seu desejo mais profundo De tornar melhor o mundo, Exaltando o que nos resta! Se as rosas renascessem Nos caminhos do porvir, Talvez nos ensinassem A razão de prosseguir. Com seu jeito de sorrir Na linguagem do perfume, Seriam doce costume De quem planta o bem profundo, Colorindo todo o mundo Com o brilho que resume. Se as rosas persistissem Mesmo após o temporal, E jamais se despedissem Do seu ciclo natural, Seriam sinal vital De que o amor não se cansa, E a vida sempre alcança Seu sentido mais sagrado, Num jardim iluminado Pelas luzes da esperança.