(estrofe 1) Sobre a antiga pedra esquecida no chão, Nasceu um tapete de verde singelo; Sem ruído algum, com suave expressão, Vestiu a dureza com manto tão belo. (estrofe 2) Não veio com pressa, nem quis disputar O espaço guardado pelo temporal; Apenas soube, paciente, esperar O instante propício do ciclo natural. (estrofe 3) Enquanto o rochedo exibia firmeza, O musgo ensinava outra dimensão: Que existe poder na delicadeza Que toca a dureza sem agressão. (estrofe 4) Gota após gota, manhã após manhã, Foi tecendo sua verde cobertura; Mostrando que a obra mais nobre e sã Também nasce da perseverança pura. (refrão) Ó musgo sereno de humilde verdor, Que abraças a pedra sem a ferir, Ensina que vence o verdadeiro amor Quando sabe acolher e construir. (estrofe 5) O orvalho brilhava sobre seu tecido, Como joias bordadas pelo amanhecer; E o vento passava, leve e contido, Sem interromper seu lento crescer. (estrofe 6) Nenhuma raiz buscava grandeza, Nem troncos erguidos queriam mostrar; Mas sua silenciosa natureza Transformava o ambiente sem alardear. (estrofe 7) Até a velha pedra, austera e calada, Parecia sorrir sob tão verde véu; Como um coração, antes endurecido, Visitado enfim pela paz do céu. (refrão) Ó musgo sereno de humilde verdor, Que abraças a pedra sem a ferir, Ensina que vence o verdadeiro amor Quando sabe acolher e construir. (estrofe 8) Os pequenos insetos ali encontravam Abrigo seguro na verde extensão; E as gotas da chuva também repousavam, Fecundando discretamente o chão. (estrofe 9) Nem toda mudança produz estrondo, Nem toda vitória precisa aparecer; Há milagres que seguem o ritmo profundo De quem sabe servir sem se promover. (estrofe 10) Ao deixar a trilha coberta de vida, Levei no silêncio esta inspiração: A ternura constante, embora escondida, Pode transformar o mais duro coração. (refrão) Ó musgo sereno de humilde verdor, Que abraças a pedra sem a ferir, Ensina que vence o verdadeiro amor Quando sabe acolher e construir.