
(estrofe 1) Quando a cruz se inclinou ao trono ferido, calou-se a voz que deveria ser chama; e o povo, confuso, seguiu o rugido de reis que vestiam trevas com fama. (estrofe 2) Pregaram “ordem” como quem fecha os olhos, ergueram muros em nome da fé; e os profetas antigos, rasgando seus molhos, choraram a justiça que ninguém mais vê. (estrofe 3) Chamaram “perigo” o pobre cansado, “inimigo” o jovem pedindo igualdade; e enquanto o templo abraçava o Estado, a cruz sangrava contra a falsidade. (refrão) Não foi para isso que o Cristo nasceu: Seu reino não teme o vento das ruas. Ele é o Deus que libertou o que sofreu, não o que abençoa correntes tão cruas. (estrofe 4) Quando ditadores pediram bênção, houve mãos que tremeram diante do poder; e outras, rendidas ao brilho da ascensão, esqueceram do Cristo que manda acolher. (estrofe 5) Sob o manto do “bem” marchou a violência, nos púlpitos brandos de oração formal; e o evangelho, perdendo sua essência, foi usado como cetro moral. (refrão) Não foi para isso que o Cristo nasceu: Seu reino não teme o vento das ruas. Ele é o Deus que libertou o que sofreu, não o que abençoa correntes tão cruas. (estrofe 6) Chamaram de “guerra” o abraço ao caído, de “subversão” a verdade do pobre; e cada decreto que feria o oprimido era ovacionado em celebração nobre. (estrofe 7) Mas a história retorna, cobrando memória, e expõe no espelho o templo e a nação; Cristo não cabe em discursos de glória, Ele vive onde há justiça e compaixão. (refrão) Não foi para isso que o Cristo nasceu: Seu reino não teme o vento das ruas. Ele é o Deus que libertou o que sofreu, não o que abençoa correntes tão cruas.

