
(ALÉM DAS MARÉS — ESTROFE) Eu senti o mundo fechar em silêncio e pressão, como se o medo desenhasse a própria direção, mas havia em mim uma inquieta insistência, de romper a superfície e vencer a ausência. (ALÉM DAS MARÉS — ESTROFE) Houve dias em que a dúvida tomou o leme, e a vontade se escondeu sob um leve estreme, mesmo assim algo insistia em permanecer, como quem aprende a cair sem desistir de crescer. (ALÉM DAS MARÉS — ESTROFE) Vi fronteiras internas erguidas sem razão, feitas de antigas feridas na imaginação, mas nelas também encontrei passagem secreta, onde a dor se transforma em rota discreta. (ALÉM DAS MARÉS — REFRÃO) Além das marés eu escolho avançar, mesmo sem mapa preciso para me guiar, o infinito me chama sem me explicar, e eu sigo vivendo sem me limitar. (ALÉM DAS MARÉS — ESTROFE) O tempo me testou em sua maré de incerteza, mas aprendi que o abismo também tem beleza, quando o olhar não se prende ao que é fracasso, e descobre no esforço o próprio espaço. (ALÉM DAS MARÉS — ESTROFE) Carreguei silêncios que ninguém quis notar, como barcos antigos esquecidos no mar, mas deles fiz força, sem pedir permissão, transformando o vazio em reconstrução. (ALÉM DAS MARÉS — ESTROFE) Houve vozes internas tentando me parar, como correntes sutis querendo me amarrar, mas eu respondi com gesto de persistência, trocando o medo antigo por nova presença. (ALÉM DAS MARÉS — REFRÃO) Além das marés eu escolho avançar, mesmo sem mapa preciso para me guiar, o infinito me chama sem me explicar, e eu sigo vivendo sem me limitar. (ALÉM DAS MARÉS — ESTROFE) Aprendi que o limite é só percepção, um desenho antigo feito pela hesitação, e quando o peito decide enfim atravessar, até o impossível começa a se deslocar. (ALÉM DAS MARÉS — ESTROFE) Não há fim para quem decide continuar, nem corrente capaz de impedir o sonhar, pois cada passo abre um novo horizonte, onde o impossível se curva diante da ponte. (ALÉM DAS MARÉS — ESTROFE) E sigo, mesmo quando o vento se desfaz, sabendo que a travessia sempre me refaz, pois viver é romper o que tenta prender, e no movimento aprender a ser. (ALÉM DAS MARÉS — PONTE) Lamentei os dias em que escolhi recuar, quando o medo falou mais alto que o navegar, quando neguei ao peito sua própria amplidão, e me escondi dentro da hesitação. (ALÉM DAS MARÉS — REFRÃO) Além das marés eu escolho avançar, mesmo sem mapa preciso para me guiar, o infinito me chama sem me explicar, e eu sigo vivendo sem me limitar. (ALÉM DAS MARÉS — REFRÃO FINAL) Hoje me acolho com inteira compaixão, mesmo nas ondas da própria contradição, e escolho viver com leveza e claridade, aceitando a alegria junto da saudade.

