
(estrofe) Depois do vendaval na estrada, quando o pó parece vencer, fica uma chama delicada insistindo em permanecer. (estrofe) Há perdas que levam quase tudo, rasgam planos, sonhos e chão, mas no silêncio mais profundo resta um pulso no coração. (estrofe) Não é riso fácil ou distraído, nem fuga da realidade crua, é um sentido amadurecido que nenhuma dor atenua. (refrão) Há uma alegria que sobra, quando o resto já se perdeu, é raiz que a seca não dobra, é o que em mim não morreu. (estrofe) Vi projetos desmoronarem como prédios sem alicerce, mas vi forças se revelarem quando a esperança reaparece. (estrofe) O que ficou não foi ruína, foi essência depurada, como ouro que se refina na fornalha mais cerrada. (estrofe) A vida tirou os excessos, as ilusões de segurança, mas deixou firmes os acessos da fé que sustenta a esperança. (refrão) Há uma alegria que sobra, quando o resto já se perdeu, é raiz que a seca não dobra, é o que em mim não morreu. (estrofe) Descobri que ser alegre não é blindar o coração, é permitir que ele se entregue e ainda pulse após a decepção. (estrofe) Quando tudo em volta cede, e o cenário escureceu, há uma força que antecede o que o mundo me tirou e não venceu. (ponte) Quantas vezes, por desalento, abandonei minha própria luz, neguei ao mundo meu contentamento e fiz da sombra minha cruz. (refrão) Há uma alegria que sobra, quando o resto já se perdeu, é raiz que a seca não dobra, é o que em mim não morreu. (refrão final) Hoje me abraço por inteiro, na lágrima e na canção, decido ser alegre, verdadeiro, mesmo havendo justa aflição.

