(estrofe 1) Do ventre cinzento das nuvens do norte, Desce a neve em silêncio sutil, Como cartas brancas que vencem a morte Do inverno profundo e febril. (estrofe 2) Cada floco desenha no ar sua dança, Girando leve em caminhos sem fim, Como se o céu derramasse esperança Sobre os galhos cansados do jardim. (estrofe 3) Nenhum é igual ao irmão que o acompanha, Cada forma carrega um segredo de luz, E juntos recobrem vales e montanhas Com mantos que o frio conduz. (estrofe 4) As estradas se calam sob o véu branco, Os ruídos do mundo parecem cessar, E até o tempo, tão veloz e franco, Aprende devagar a caminhar. (refrão) Ó neve serena que cai sem ferir, Vestindo a terra de calma e clarão, Ensinas que o simples pode construir A pureza escondida na união. (estrofe 5) O pinheiro sustenta cristais delicados, Enquanto o lago adormece em paz, E os campos outrora escuros e cansados Refletem um brilho que o inverno traz. (estrofe 6) Há poesia no frio que silencia, Na fumaça subindo do velho chalé, Pois a neve transforma a melancolia Em contemplação branca e de fé. (estrofe 7) O viajante que pisa o chão congelado Escuta o estalar suave do chão, Como se o mundo estivesse bordado Com fios de quietude e reflexão. (refrão) Ó neve serena que cai sem ferir, Vestindo a terra de calma e clarão, Ensinas que o simples pode construir A pureza escondida na união. (estrofe 8) Mesmo breve em sua permanência, A neve deixa marcas no olhar, Pois revela que há transcendência Na beleza humilde de transformar. (estrofe 9) Cada floco parece pequeno e disperso, Mas juntos alteram toda a paisagem, Como gestos discretos no universo Que mudam silenciosos a viagem. (estrofe 10) E quando o degelo devolve o caminho, E a terra reaprende a florescer, Fica na memória o branco carinho Da neve ensinando outro modo de ver. (refrão) Ó neve serena que cai sem ferir, Vestindo a terra de calma e clarão, Ensinas que o simples pode construir A pureza escondida na união.