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O EXTERMÍNIO DOS “INIMIGOS”

V6-MINI

(estrofe 1) Josué diz que o Senhor endureceu o coração Dos reis que contra Israel vieram guerrear; E assim a própria causa da destruição Parece ter sido preparada para acontecer. (estrofe 2) Se o coração foi endurecido para lutar, A pergunta se levanta diante da antiga narrativa: Como condenar quem foi levado a guerrear, Se a própria mão divina tornou a escolha decisiva? (estrofe 3) O adversário entra em guerra, aparentemente por vontade, Mas o texto apresenta uma vontade conduzida; A liberdade que parecia existir na realidade Fica envolvida numa direção já estabelecida. (estrofe 4) E então a guerra chega ao seu desfecho fatal: Os que combateram são entregues à destruição; O mesmo relato que descreve a disposição para o mal Também apresenta sua morte como conclusão. (refrão) O EXTERMÍNIO DOS “INIMIGOS” NÃO REVELA O DEUS DE JESUS, O Pai não endurece corações para depois condenar; Jesus não cria a resistência para justificar a cruz, Nem conduz alguém à queda para então o eliminar. (estrofe 5) No Deus revelado por Cristo, há convite e resposta, Há chamado que pode ser ouvido ou recusado; A porta da misericórdia permanece sempre exposta, E ninguém precisa ser fabricado como condenado. (estrofe 6) Jesus contempla Jerusalém e chora sobre a cidade, Não celebra sua rejeição nem procura punição; Sua tristeza revela outra face da divindade: O coração de Deus sofre diante da perdição. (estrofe 7) Ele chama, mas não força quem decide não seguir; Ensina, mas não transforma recusa em condenação; Seu Reino não necessita fabricar um inimigo para existir, Nem precisa da queda de alguém para provar sua missão. (refrão) O EXTERMÍNIO DOS “INIMIGOS” NÃO REVELA O DEUS DE JESUS, O Pai não endurece corações para depois condenar; Jesus não cria a resistência para justificar a cruz, Nem conduz alguém à queda para então o eliminar. (estrofe 8) Há ainda uma tensão profunda na própria compreensão: Se Deus determina o caminho que alguém seguirá, Como responsabilizar somente aquela pessoa pela ação Que o próprio texto diz que Deus provocará? (estrofe 9) Paulo escreve sobre o barro e o oleiro em outro contexto, Mas Jesus nos mostra um Pai que chama para a vida; Sua mensagem não apresenta o homem como pretexto Para uma condenação previamente decidida. (estrofe 10) Por isso leio Josué com reverência e inquietação, Sem transformar sua antiga linguagem em voz final; Reconheço a tradição, mas submeto sua interpretação Ao rosto de Jesus, revelação maior do Pai celestial. (ponte) Quanto falhei por chamar de justiça aquilo que parecia predestinação, Sem perceber a tensão entre liberdade, endurecimento e condenação; Defendi como sendo de Deus uma lógica de manipulação, Quando Jesus me ensinou a reconhecer no Pai o Deus da libertação. (refrão) O EXTERMÍNIO DOS “INIMIGOS” NÃO REVELA O DEUS DE JESUS, O endurecimento dos corações não define o Pai do Salvador; Aquele que conheço em Cristo não prepara pessoas para a destruição, Pois sua verdade é vida, misericórdia, liberdade e amor. (refrão final) Agora eu descanso em Jesus, Deus de perfeito amor, Nele não vejo armadilha, manipulação ou condenação; Seu chamado abre caminhos para a vida e para o perdão, E jamais será diferente conosco o coração do meu Senhor.