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ESCRAVIDÃO TRANSATLÂNTICA

(estrofe 1) Pregavam salvação, mas vendiam correntes, os barcos gemiam com almas ardentes, os hinos falavam do amor que liberta, mas o ferro calava a voz descoberta. (estrofe 2) No convés, rezavam por lucro e poder, enquanto um povo aprendia a sofrer; batizavam escravos com água salgada, lavando o pecado, não a injustiça armada. (estrofe 3) Na cruz, Cristo olhava o oceano ferido, ouvindo o lamento de um povo esquecido; mas padres e reis, com versos da lei, vendiam o homem que Deus mesmo fez. (refrão) Oh, Cristianismo, onde foste parar? O Evangelho é vida, não pode matar. Jesus libertava, tu prendeste em dor, negaste a essência do próprio amor. (estrofe 4) A Bíblia nas mãos do senhor do engenho, servia ao poder, e não ao Evangelho; chicote e sermão dividiam o altar, em nome de Cristo, mandavam calar. (estrofe 5) O ouro nas igrejas, o sangue nas veias, os santos pintados, as mães sem aldeias; na África, chamas — na Europa, perdão, no meio, um oceano de pranto e ilusão. (refrão) Oh, Cristianismo, onde foste parar? O Evangelho é vida, não pode matar. Jesus libertava, tu prendeste em dor, negaste a essência do próprio amor. (estrofe 6) Nos troncos da dor, Deus parecia distante, mas estava nos olhos do povo vibrante; em cada canção, um salmo escondido, num canto africano, o Cristo ferido. (estrofe 7) E hoje, quem prega, que pregue em verdade, pois fé sem justiça é vã piedade; o Cristo dos negros, de amor e perdão, ainda espera a reparação. (refrão) Oh, Cristianismo, onde foste parar? O Evangelho é vida, não pode matar. Jesus libertava, tu prendeste em dor, negaste a essência do próprio amor.