
(estrofe 1) Nas páginas antigas surgem gritos de batalha, povos marchando onde a poeira se espalha; espadas erguidas sob o sol do deserto, e um Deus narrado no clamor incerto. (estrofe 2) Mas eram tribos lendo o céu com seus olhos, carregando medos, fronteiras e escolhos; cada vitória pintavam de luz celestial, como se o divino marchasse no vendaval. (estrofe 3) Nos cânticos de guerra buscavam razão, para o sangue que caía no chão da nação; assim o Senhor era visto no campo ferido, como chefe supremo de um povo oprimido. (estrofe 4) Porém o vento eterno sopra mais fundo, não nasce na lança que fere o mundo; o Deus da vida não floresce na dor, mas no gesto silencioso do amor. (refrão) A guerra não é o coração de Deus, nem seu trono se ergue sobre troféus; o eterno não vibra com lâminas no ar, seu reino floresce onde a vida pode brotar. (estrofe 5) Como nuvem que passa cobrindo o sol, assim a violência marcou o lençol da história humana que tenta narrar o mistério divino difícil de explicar. (estrofe 6) Os povos antigos viam Deus no combate, como rei que protege seu povo no embate; mas a eternidade não cabe nesse olhar, nem sua ternura se deixa matar. (estrofe 7) Pois no fundo da história cresce outra semente, um rio de compaixão correndo lentamente; onde a espada cala e o ódio se desfaz, surge o sopro eterno anunciando a paz. (refrão) A guerra não é o coração de Deus, nem seu trono se ergue sobre troféus; o eterno não vibra com lâminas no ar, seu reino floresce onde a vida pode brotar. (estrofe 8) O deserto ensinou seus povos a lutar, cada fronteira um medo a guardar; mas o horizonte de Deus é maior que nações, ultrapassa muralhas e antigas paixões. (estrofe 9) Como aurora que rompe a noite tardia, uma nova visão nasceu certo dia; um Reino anunciado sem lanças nem dor, onde vence quem vive no caminho do amor. (estrofe 10) Assim a história aprende devagar que o Eterno não veio para exterminar; e no silêncio das páginas por vir a paz divina começa a florir. (refrão) A guerra não é o coração de Deus, nem seu trono se ergue sobre troféus; o eterno não vibra com lâminas no ar, seu reino floresce onde a vida pode brotar.

