
(estrofe 1) Pomba escondida entre as pedras do monte, guardas no silêncio teu jeito de ser; há quem procure beleza somente na fonte, sem ver a nascente que insiste em esconder. (estrofe 2) Nas fendas da penha encontraste abrigo, longe do tumulto, do medo e do olhar; mas o amor, quando deseja estar contigo, aprende o teu esconderijo para te encontrar. (estrofe 3) Não és ave cativa, nem presa na mão, teu voo pertence ao espaço e ao vento; quem ama respeita teu próprio chão e espera teu tempo, teu voo, teu momento. (estrofe 4) Há partes de nós que ninguém vê de repente, recantos guardados por antiga reserva; o amor cuidadoso aproxima-se lentamente e não força a porta que a confiança preserva. (refrão) Pomba escondida, teu voo eu respeito, não quero cercar o caminho que é teu; se vieres comigo, será por teu jeito, porque amor verdadeiro não aprisiona o céu. (estrofe 5) Às vezes, esconder-se é forma de cuidado, é recolher a alma depois da aflição; um coração ferido procura um lugar reservado antes de oferecer novamente a mão. (estrofe 6) Há beleza também no mistério guardado, naquilo que somente a confiança revela; quem ama não exige conhecer o passado, mas aprende a esperar diante da janela. (estrofe 7) Eu chamaria teu nome sem quebrar teu silêncio, como quem chama uma ave ao nascer do luar; pois toda aproximação precisa de consentimento, e toda ternura precisa saber esperar. (refrão) Pomba escondida, teu voo eu respeito, não quero cercar o caminho que é teu; se vieres comigo, será por teu jeito, porque amor verdadeiro não aprisiona o céu. (estrofe 8) Se um dia teus olhos surgirem na abertura, encontrarás acolhida, não cobrança ou temor; meu convite será feito de calma e ternura, como abrigo preparado para receber teu amor. (estrofe 9) E se preferires permanecer entre as pedras, também teu silêncio merece compreensão; há distâncias que curam antigas quedas e preparam o reencontro de coração. (estrofe 10) Mas quando teu voo atravessar a montanha e vieres repousar onde existe afeição, será mais precioso aquilo que se ganha quando nasce espontânea a aproximação. (refrão) Pomba escondida, teu voo eu respeito, não quero cercar o caminho que é teu; se vieres comigo, será por teu jeito, porque amor verdadeiro não aprisiona o céu.

