
(estrofe 1) Contando o cristianismo... é lembrar quando o rito vestiu outra intenção, e o sagrado começou a imitar formas antigas de dominação. (estrofe 2) Velhos impérios moldaram sinais, incensos, gestos e procissão, e o novo foi tomando demais a estética da imposição. (estrofe 3) A fé, que nasceu de chão humilde, aprendeu códigos de poder, e em linguagem antes tão simples passou a se revestir de vencer. (estrofe 4) Assim, o símbolo virou estratégia, e o culto ganhou distinção, como se a graça fosse régia e não fruto da compaixão. (refrão) Mas o Espírito sopra sem trono, sem marca, sem cor, sem fronteira, não se compra, não tem dono, e não segue corte ou bandeira. (estrofe 5) Vestes, cânticos e reverências foram copiadas de outros templos, e entre tantas correspondências se perderam alguns exemplos. (estrofe 6) O rito que deveria libertar foi às vezes usado para marcar quem pode subir, quem pode ficar, quem deve apenas observar. (estrofe 7) E assim o sagrado foi se moldando à lógica de prestígio e lugar, como se o céu estivesse se curvando a quem soube melhor representar. (refrão) Mas o Espírito sopra sem trono, sem marca, sem cor, sem fronteira, não se compra, não tem dono, e não segue corte ou bandeira. (estrofe 8) Jesus não construiu cerimônia para exaltar posição ou poder, mas trouxe à mesa a harmonia de quem aprende a servir e viver. (estrofe 9) Seu gesto quebrava hierarquia, lavava os pés sem distinção, e em cada ato desmentia a lógica da dominação. (estrofe 10) Se a fé quiser reencontrar essência, que abandone a cópia e o sinal, pois Deus não habita a aparência mas o amor que é original. (refrão) Mas o Espírito sopra sem trono, sem marca, sem cor, sem fronteira, não se compra, não tem dono, e não segue corte ou bandeira.

