(estrofe 1) Atrás da parede, teu vulto desponta, como a aurora beijando o alto do monte; meu coração, que por ti sempre aponta, descobre esperança em cada horizonte. (estrofe 2) Não vejo ainda teu rosto por inteiro, mas sinto tua presença florescer; como perfume chegando primeiro, anunciando o jardim a renascer. (estrofe 3) Teus olhos atravessam pedra e distância, como a luz atravessa o cristal; transformam a espera em constância e o silêncio em concerto celestial. (estrofe 4) Toda parede conhece um instante em que deixa de ser separação; pois o amor persevera adiante e encontra passagem no coração. (refrão) Olha por mim quando eu não puder te ver, busca-me sempre onde eu estiver; quem ama aprende também a esperar, pois o amor sempre sabe encontrar. (estrofe 5) Como o farol que procura o navio nas madrugadas de vento e de mar, teu olhar atravessa o vazio para minha esperança despertar. (estrofe 6) Há janelas escondidas no tempo, há frestas abertas na solidão; por elas caminha teu sentimento, como primavera rompendo o verão. (estrofe 7) És como estrela que rompe a neblina, sem jamais perder seu resplendor; e minha alma tranquila caminha, guiada pelos sinais do teu amor. (refrão) Olha por mim quando eu não puder te ver, busca-me sempre onde eu estiver; quem ama aprende também a esperar, pois o amor sempre sabe encontrar. (estrofe 8) Nem os muros mais altos da vida aprisionam um verdadeiro querer; toda barreira parece vencida quando o amor insiste em viver. (estrofe 9) Como o rio contorna a montanha sem perder a direção do mar, teu olhar vence toda campanha para enfim meu sorriso encontrar. (estrofe 10) E quando enfim as paredes caírem, restará somente o esplendor; dois olhares que sempre se seguirem, celebrando para sempre o amor. (refrão) Olha por mim quando eu não puder te ver, busca-me sempre onde eu estiver; quem ama aprende também a esperar, pois o amor sempre sabe encontrar.