(estrofe 1) O frio partiu sem deixar despedida, levando consigo a dor e o temor; desperta a manhã renovando a vida, vestindo os caminhos com flores de amor. (estrofe 2) As nuvens pesadas já foram embora, o céu se reveste de puro anil; o vento anuncia a feliz nova aurora, bordando esperança no campo gentil. (estrofe 3) Os ramos antigos florescem de novo, o vale responde com hinos de paz; o amor faz renascer todo o povo, em bênçãos que o tempo jamais desfaz. (estrofe 4) Depois das geadas da longa tristeza, desponta a estação do viver triunfal; o afeto revela sua fortaleza, qual sol dissipando a névoa invernal. (refrão) Passou o inverno, chegou o esplendor, renasce a alegria em cada manhã; quem vive guardado no verdadeiro amor transforma o deserto em verde romã. (estrofe 5) A chuva tardia cumpriu sua missão, regando sementes ocultas no chão; agora desponta em cada estação a colheita madura da dedicação. (estrofe 6) Como a águia que sobe vencendo o vendaval, o coração aprende a recomeçar; o inverno foi apenas sinal de que a primavera iria chegar. (estrofe 7) As rosas perfumam antigos caminhos, as fontes devolvem seu doce cantar; até os pequenos e frágeis ninhos celebram o tempo de recomeçar. (refrão) Passou o inverno, chegou o esplendor, renasce a alegria em cada manhã; quem vive guardado no verdadeiro amor transforma o deserto em verde romã. (estrofe 8) A figueira desperta seu verde vestido, o pomar oferece perfume e calor; o passado já não prende o sentido, pois floresce abundante o jardim do amor. (estrofe 9) Como o rio que rompe a barragem, seguindo confiante seu curso até o mar, assim segue o amor sua viagem, sem medo das noites que possam voltar. (estrofe 10) Se um novo inverno algum dia surgir, não apagará a chama interior; pois quem aprendeu plenamente a sentir carrega na alma a primavera do amor. (refrão) Passou o inverno, chegou o esplendor, renasce a alegria em cada manhã; quem vive guardado no verdadeiro amor transforma o deserto em verde romã.