
INSTRUMENTALIZAÇÃO DA RELIGIÃO PARA RACIOCÍNIO POLÍTICO
(estrofe 1) Contando o cristianismo... é lembrar quando a fé vestiu palanque e brasão, e sermões passaram a moldar o rumo tenso da eleição. (estrofe 2) Versículos foram transformados em slogans de ocasião, como martelos bem calculados sobre a dúvida da população. (estrofe 3) Em nome do céu e da verdade ergueram pactos de conveniência, misturando devoção e autoridade na fumaça da influência. (estrofe 4) E o púlpito, antes abrigo cansado para o pobre e o coração ferido, virou às vezes palco inflamado de um projeto já decidido. (refrão) Mas o Reino não cabe em partido, nem se curva à ambição do poder, pois Cristo andou entre esquecidos para servir, e não dominar ou vencer. (estrofe 5) Chamaram golpe de providência, e imposição de redenção, quando a fé perdeu a consciência na pressa da polarização. (estrofe 6) Leis nasceram em tom sagrado, sem ouvir o diverso da nação, como se Deus tivesse assinado cada decreto da imposição. (estrofe 7) A cruz virou bandeira erguida em disputas por controle e voz, esquecendo que a própria vida é maior que “eles” e “nós”. (refrão) Mas o Reino não cabe em partido, nem se curva à ambição do poder, pois Cristo andou entre esquecidos para servir, e não dominar ou vencer. (estrofe 8) Jesus jamais buscou coroação pela força do convencimento armado, antes lavou os pés no chão de quem vivia desprezado. (estrofe 9) Seu Evangelho atravessava fronteiras de raça e opinião, e nunca se aprisionava na engrenagem da dominação. (estrofe 10) Se a fé quiser guardar memória do Carpinteiro de Nazaré, que não transforme sua história em ferramenta de poder e fé. (refrão) Mas o Reino não cabe em partido, nem se curva à ambição do poder, pois Cristo andou entre esquecidos para servir, e não dominar ou vencer.

