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INSPIRAÇÃO NÃO É DITADO

(estrofe 1) Não foi como quem dita sentença ao escriba cansado, nem como rei que impõe decreto já moldado; foi sopro que atravessa mente, memória e chão, como vento que encontra na flauta sua canção. (estrofe 2) A voz divina não apagou o rosto de quem escreveu, antes acendeu a chama do que cada um viveu; línguas, desertos, mares, histórias e emoções viraram tinta viva nas antigas narrações. (estrofe 3) Se fosse ditado rígido, sem cor nem pulsação, todas as páginas teriam a mesma estação; mas há rios diferentes correndo em cada frase, como jardins diversos florescendo na mesma base. (estrofe 4) Uns falam como pastores olhando o céu aberto, outros como viajantes narrando o caminho incerto; cada pena escreveu com sua própria visão, mas o sopro invisível guiava a direção. (refrão) Inspiração é sopro que encontra coração, não voz que silencia cultura ou razão; Deus canta no humano sem calar sua voz, tecendo sua luz na história de nós. (estrofe 5) Como o sol que atravessa vitrais coloridos, a luz se faz múltipla nos vidros escolhidos; não muda a claridade que vem do alto ardente, mas muda o desenho que nasce no ambiente. (estrofe 6) Assim o Espírito encontra linguagem e chão, dialoga com memória, dor e tradição; não escreve sozinho como mão solitária, mas sopra sentido na jornada literária. (estrofe 7) Há vozes de profetas, de poetas e anciãos, há ecos de esperança nas cartas e orações; todas carregam marcas do tempo em que viveram, e ainda assim sementes do Eterno floresceram. (refrão) Inspiração é sopro que encontra coração, não voz que silencia cultura ou razão; Deus canta no humano sem calar sua voz, tecendo sua luz na história de nós. (estrofe 8) Quem lê percebe traços de terra e de céu, de lágrimas humanas e promessa fiel; como barro moldado por mãos do oleiro, a palavra mistura o divino e o verdadeiro. (estrofe 9) Não foi silêncio humano diante do divinal, mas diálogo profundo no tempo e no local; Deus não roubou a pena nem calou a memória, antes fez da experiência matéria da história. (estrofe 10) Por isso a Escritura respira humanidade, cheia de perguntas, dores e saudade; e mesmo entre limites de cultura e voz, o sopro eterno canta através de nós. (refrão) Inspiração é sopro que encontra coração, não voz que silencia cultura ou razão; Deus canta no humano sem calar sua voz, tecendo sua luz na história de nós.