
(estrofe 1) Ergueram catedrais com tratados e doutrinas, Teceram mil dogmas nas sombras das colunas divinas. Jesus falava simples, de amor e compaixão, Mas fizeram da Palavra uma prisão da razão. (estrofe 2) Pregaram mandamentos criados por orgulho e poder, E chamaram de heresia quem ousasse entender. O Cristo libertava o pobre e o oprimido, Mas a teologia o fez distante e temido. (estrofe 3) Escreveram credos com tinta de julgamento, E sufocaram o riso em nome do mandamento. A verdade viva virou código e censura, E o amor foi trocado por doutrina e estrutura. (refrão) Jesus não criou muralhas nem tribunais de fé, Chamou o homem à vida, ao amor que é o que é. Quem ama entende Deus sem precisar da razão, Pois a Palavra é Espírito, não imposição. (estrofe 4) Debateram séculos sobre o ser e o mistério, Enquanto os famintos morriam no império. A letra virou arma, o púlpito um trono, E o Reino dos Céus, domínio de dono. (estrofe 5) O clero falava em nome do Deus do temor, Mas esquecia o carpinteiro e seu labor. O Cristo andava entre pescadores e dores, Mas os doutores discutiam os seus rumores. (refrão) Jesus não criou muralhas nem tribunais de fé, Chamou o homem à vida, ao amor que é o que é. Quem ama entende Deus sem precisar da razão, Pois a Palavra é Espírito, não imposição. (estrofe 6) A cruz foi tomada por símbolos e bandeiras, E o sangue do amor coberto por fronteiras. Deus virou sistema, tratado e conclusão, Mas esqueceu-se o verbo: compaixão. (estrofe 7) O Evangelho, que era rio, virou rocha imutável, E a teologia, muralha inquebrável. Mas a voz de Jesus, entre ventos e calar, Sussurra: “Quem ama, esse é o meu altar.” (refrão) Jesus não criou muralhas nem tribunais de fé, Chamou o homem à vida, ao amor que é o que é. Quem ama entende Deus sem precisar da razão, Pois a Palavra é Espírito, não imposição.

