(estrofe 1) Caminho lento na beira do mar, Sentindo a brisa beijar meu olhar, Sob meus pés a praia começa a falar, Em grãos pequenos que sabem contar. (estrofe 2) Cada partícula guarda uma história, Fragmento antigo de rocha e de sal, O tempo escreve na areia a memória De um mundo paciente, profundo e real. (estrofe 3) Montanhas velhas tornaram-se pó, Carregadas por rios até o oceano, O que já foi pedra hoje não está só, Virou tapete nas mãos do arcano. (estrofe 4) O mar modela com ritmo e cadência, Desenha caminhos na margem vazia, E a praia aprende com sua paciência Que a grandeza nasce da soma do dia. (refrão) Grão por grão se constrói a imensidão, Silenciosa obra da terra e do mar, O pequeno unido forma a criação, Que o tempo paciente vem lapidar. (estrofe 5) Quando o vento percorre o litoral, Leva consigo sementes de chão, E a areia responde em coro natural Que a vida cresce na cooperação. (estrofe 6) Sob o sol dourado que pinta o horizonte, Milhões de pontos começam a brilhar, Como estrelas caídas da ponte Entre o céu infinito e o sal do mar. (estrofe 7) Pés caminham e marcas se fazem, Mas logo a maré vem tudo apagar, Lembrando que as nossas passagens São como pegadas à beira do mar. (refrão) Grão por grão se constrói a imensidão, Silenciosa obra da terra e do mar, O pequeno unido forma a criação, Que o tempo paciente vem lapidar. (estrofe 8) A praia respira em ciclos profundos, Entre o avanço e o recuo das águas, E ensina aos homens e a todos os mundos Que a calma dissolve antigas mágoas. (estrofe 9) Um grão sozinho parece pequeno, Quase invisível diante da amplidão, Mas junto aos outros compõe o terreno Que sustenta a vida em comunhão. (estrofe 10) Assim também a existência humana Se forma em gestos de amor natural, Como a areia humilde que a maré irmana No grande tapete universal. (refrão) Grão por grão se constrói a imensidão, Silenciosa obra da terra e do mar, O pequeno unido forma a criação, Que o tempo paciente vem lapidar.