
(estrofe 1) Pelas estradas do império seguia um viajante, com pergaminhos, perguntas e fé perseverante; Paulo de Tarso levava o Cristo no coração, mas também as marcas de sua formação. (estrofe 2) Filho das escolas, discípulo da tradição, aprendeu a ler o mundo pela antiga religião; como rio que recebe a cor do próprio chão, sua voz carregava traços de sua educação. (estrofe 3) Quando encontrou o Ressuscitado na luz do caminho, não deixou de ser humano nem perdeu seu ninho; continuou pensando, escrevendo e refletindo, a fé recém-descoberta aos poucos traduzindo. (estrofe 4) Suas cartas são janelas abertas para ver como um homem buscava o Evangelho compreender; nelas brilha a graça, a esperança e o vigor, mas também a visão de um intérprete e pensador. (refrão) Paulo apontou para Cristo com sincera devoção, mas não ocupou do Mestre a posição; a fonte é Jesus, o rio segue depois, e a luz que ilumina vem antes dos dois. (estrofe 5) Como artesão que molda a madeira recebida, ele deu forma teológica à experiência vivida; falou de fé e graça com profundo esplendor, procurando explicar o mistério do amor. (estrofe 6) Porém toda linguagem traz limites naturais, ecos de sua cultura e debates ancestrais; ninguém contempla o horizonte sem lugar para ficar, nem descreve o infinito sem palavras para usar. (estrofe 7) Suas cartas enfrentavam conflitos do presente, problemas concretos surgindo entre a gente; não eram tratados frios caídos do céu, mas respostas humanas escritas sob o véu. (refrão) Paulo apontou para Cristo com sincera devoção, mas não ocupou do Mestre a posição; a fonte é Jesus, o rio segue depois, e a luz que ilumina vem antes dos dois. (estrofe 8) O Nazareno falava nas margens do lago azul, Paulo escrevia às cidades do norte e do sul; um anunciava o Reino em parábolas de luz, o outro explicava o impacto da cruz. (estrofe 9) Por isso o leitor atento procura discernir onde termina a cultura e o eterno a reluzir; como quem separa a pérola da concha do mar, sem desprezar a beleza de ambas ao olhar. (estrofe 10) Honramos o apóstolo por sua dedicação, por abrir ao mundo gentio nova compreensão; mas acima de toda carta, sermão ou voz, permanece o Cristo chamando a todos nós. (refrão) Paulo apontou para Cristo com sincera devoção, mas não ocupou do Mestre a posição; a fonte é Jesus, o rio segue depois, e a luz que ilumina vem antes dos dois.

