
(estrofe 1) Antes que a tinta tocasse o silêncio do papel, o sopro eterno corria livre como um céu; não veio como tratado guardado em pergaminho, veio como passo humano caminhando em nosso caminho. (estrofe 2) O mistério antigo deixou o trono da distância, vestiu o pó das ruas, partilhou nossa infância; não falou apenas do alto como eco distante, mas respirou conosco o tempo de cada instante. (estrofe 3) A eternidade coube no compasso de um coração, como o mar escondido dentro de uma canção; cada gesto simples tornava o invisível claro, como sol refletido no orvalho mais raro. (estrofe 4) Não foi voz presa em tábuas nem sentença de arquivo, foi Deus entre os mortais, surpreendentemente vivo; na mesa dos esquecidos semeou nova lei: que o amor é o idioma que o céu sempre quis. (refrão) O Verbo se fez carne, luz na manhã comum, Deus não ficou distante no silêncio nenhum; entre o pó e o riso nasceu nova voz: o Eterno caminhando na história de nós. (estrofe 5) Se o infinito parecia segredo inalcançável, Ele o trouxe no gesto cotidiano e amável; como fonte escondida no deserto da mente, a presença divina brotou entre a gente. (estrofe 6) Não veio como fórmula guardada em doutrina, mas como vento suave que a esperança ilumina; onde a letra endurece em muralhas de razão, Sua vida se torna viva interpretação. (estrofe 7) Na poeira dos dias revelou nova visão: que o rosto de Deus se encontra na compaixão; como rio que atravessa antigas paisagens, sua graça redesenha todas as imagens. (refrão) O Verbo se fez carne, luz na manhã comum, Deus não ficou distante no silêncio nenhum; entre o pó e o riso nasceu nova voz: o Eterno caminhando na história de nós. (estrofe 8) Os céus antes distantes desceram devagar, na ternura de um olhar capaz de restaurar; como aurora que rompe a noite mais escura, a presença divina vestiu forma humana e pura. (estrofe 9) E cada passo seu, na terra ou na memória, transformou a leitura antiga da história; não negou os caminhos gravados no passado, mas mostrou novo horizonte no amor revelado. (estrofe 10) Hoje ainda ressoa na consciência da vida que a verdade eterna não ficou escondida; pois Deus não quis apenas ser palavra ou voz — quis ser carne e caminhar entre todos nós. (refrão) O Verbo se fez carne, luz na manhã comum, Deus não ficou distante no silêncio nenhum; entre o pó e o riso nasceu nova voz: o Eterno caminhando na história de nós.

