(estrofe 1) Ainda é noite no vale distante, Mas há no horizonte um brilho sutil, Um traço dourado, discreto e constante, Que rompe o silêncio do campo febril. (estrofe 2) A luz nem chegou por inteiro à janela, Mas já muda o vento, a estrada e o chão, As aves despertam ao rastro daquela Promessa nascente de transformação. (estrofe 3) O céu vai trocando seus tons lentamente, Do azul mais profundo ao vermelho do sol, E a terra percebe, serena e contente, Que o dia se aproxima além do arrebol. (estrofe 4) O amanhecer nasce antes da aurora, Nos sinais discretos do brilho a crescer, Pois mesmo distante, a luz já melhora O peito cansado que espera viver. (refrão) Ser luz do mundo é anunciar o amanhecer, É mostrar que a noite não vence o caminho, É fazer a esperança silenciosamente nascer Como o primeiro clarão surgindo mansinho. (estrofe 5) Há vidas que brilham assim no silêncio, Sem palco, sem fama, sem exaltação, Mas deixam no mundo um leve prenúncio De novos começos no coração. (estrofe 6) Como o perfume da chuva esperada Que chega primeiro que o temporal, A luz do horizonte anuncia a chegada De um tempo mais vivo, mais justo e real. (estrofe 7) O pastor desperta, o barco se move, O lavrador sente a manhã florescer, Pois antes do sol aparecer sobre a couve, A luz já prepara o mundo a viver. (refrão) Ser luz do mundo é anunciar o amanhecer, É mostrar que a noite não vence o caminho, É fazer a esperança silenciosamente nascer Como o primeiro clarão surgindo mansinho. (estrofe 8) Também há auroras na alma ferida, Quando alguém oferece escuta e calor, E o outro percebe que a própria vida Ainda pode reencontrar seu valor. (estrofe 9) O brilho pequeno no fundo da serra Já muda o destino de quem o enxergou, Porque o anúncio da luz sobre a terra É sinal de que a escuridão passou. (estrofe 10) Assim segue a vida em sua travessia, Entre noites longas e o nascer da luz, E quem vive aceso em amor e harmonia Anuncia manhãs por onde conduz. (refrão) Ser luz do mundo é anunciar o amanhecer, É mostrar que a noite não vence o caminho, É fazer a esperança silenciosamente nascer Como o primeiro clarão surgindo mansinho.