Song Cover Image

VENDAS DE INDULGÊNCIAS MODERNAS

(estrofe 1) No átrio erguido de promessas raras, brilhou um cofre ao lado da oração, onde a esperança, em moedas claras, aprendeu preço e cotação. (estrofe 2) Vendia-se alívio em voz solene, com selo santo no recibo da fé, como se o céu tivesse armazém perene e a graça coubesse no que se der. (estrofe 3) Alguns chamaram de oferta bendita o gesto moldado por pressão, quando a bênção virou visita marcada pela transação. (estrofe 4) Entre promessas de chuva dourada, o medo era bom comprador, pois quem teme a noite fechada paga caro por qualquer rumor. (refrão) Mas a graça não pesa na balança, nem se mede por valor ou favor, o perdão floresce na esperança que não se vende ao comprador. (estrofe 5) Frascos de óleo como astros em prateleira, lenços de fé com selo celestial, tudo brilhava na vitrine ligeira de um milagre quase comercial. (estrofe 6) E o povo simples, de passos cansados, vinha com sonho na palma da mão, crendo que céus seriam tocados pela moeda da devoção. (estrofe 7) Mas o Evangelho sussurra outra história nos caminhos de pó e de chão: o pão repartido constrói a memória de um Deus sem preço na compaixão. (refrão) Pois a graça não pesa na balança, nem se mede por valor ou favor, o perdão floresce na esperança que não se vende ao comprador. (estrofe 8) Houve um Homem que entrou no templo com o silêncio antes da voz, e derrubou mesas de lucro e exemplo de um culto que já não era de nós. (estrofe 9) Ali as moedas rolaram no piso como chuva de um falso verão, e o templo lembrou, no súbito aviso, que Deus não negocia perdão. (estrofe 10) Se a fé quiser ser fonte serena, que devolva ao dom sua claridade, pois o amor que em Deus se encena não conhece preço nem validade. (refrão) Graça é rio que corre sem dono, livre como o sopro do Criador, quem tenta vender o perdão do trono apenas empobrece o amor.