
(estrofe 1) Havia uma palavra antiga, pesada como sentença, Ḥerem significava entregar algo à sua consequência; Aquilo que fosse separado recebia outra pertença, E a guerra ganhava forma de rigorosa exigência. (estrofe 2) Não era simplesmente perder uma cidade no combate, Era declarar que tudo estava sob um determinado resgate; O que fosse destinado ao ḥerem não escaparia ao abate, E o sagrado acabava confundido com o destino do adversário. (estrofe 3) A linguagem transforma pessoas em parte de um decreto, Como se uma vida pudesse entrar num inventário secreto; Mas diante de Jesus, cada ser humano possui valor completo, E nenhum semelhante deve ser reduzido a objeto de projeto. (estrofe 4) Jesus tocou quem a religião muitas vezes afastava, Sentou-se com quem a sociedade desprezava; Não perguntou primeiro qual etiqueta o condenava, Mas ofereceu dignidade a quem a multidão rejeitava. (refrão) O “ANÁTEMA” DE JERICÓ NÃO É O DEUS DE JESUS, NÃO É O PAI REVELADO PELO CRISTO DA CRUZ; TRANSFORMAR VIDAS É A OBRA QUE SEU AMOR PRODUZ, E NÃO CONSAGRAR À MORTE QUEM ELE MESMO CONDUZ. (estrofe 5) No ḥerem, fronteiras religiosas podiam ser extremadas, E vidas inteiras ficavam pelas guerras marcadas; A identidade do vencedor era fortalecida nas espadas, Enquanto outras existências eram consideradas descartadas. (estrofe 6) Jesus, porém, desmonta muros dentro do coração, Quando conta do samaritano e honra sua compaixão; O próximo deixa de ser somente o da minha nação, E o amor ultrapassa qualquer antiga separação. (estrofe 7) Por isso não consigo chamar divino aquilo que desumaniza, Nem dizer que o Pai transforma morte em prática que santifica; Se uma antiga tradição religiosa assim interpreta e organiza, Posso reconhecê-la como humana, mesmo quando o texto diviniza. (refrão) O “ANÁTEMA” DE JERICÓ NÃO É O DEUS DE JESUS, NÃO É O PAI REVELADO PELO CRISTO DA CRUZ; ONDE A RELIGIÃO DESCARTA, O EVANGELHO RECONDUZ, ONDE O HOMEM CONDENA, O AMOR DE CRISTO REDUZ A CRUZ. (estrofe 8) Há uma diferença profunda entre consagrar e destruir, Entre separar algo e fazer uma existência sucumbir; O Reino anunciado por Cristo ensina outro modo de agir: A santidade não precisa de alguém eliminado para existir. (estrofe 9) Se o antigo guerreiro julgava cumprir uma obrigação, Jesus chama o discípulo para uma nova compreensão; A espada perde seu lugar diante da reconciliação, E o inimigo passa a ser também destinatário da salvação. (estrofe 10) Assim, o ḥerem permanece escrito, mas posso questionar sua voz, Sem transformar sua antiga concepção naquilo que Deus é para nós; Jesus me permite distinguir tradição humana da revelação que conduz, E descansar no Pai que nele se manifesta, amor que nunca reduz. (ponte) Quanto tempo defendi palavras sem primeiro examiná-las, Como se toda tradição religiosa viesse pronta para eternizá-las; Hoje lamento ter confundido fórmulas humanas com a face de Deus, E percebo que seguir Jesus também exige desaprender conceitos meus. (refrão) O “ANÁTEMA” DE JERICÓ NÃO É O DEUS DE JESUS, NÃO É O PAI REVELADO PELO CRISTO DA CRUZ; SE O ḤEREM TRANSFORMA O OUTRO EM ALVO QUE SE EXCLUI, VEJO AÍ UM ACRÉSCIMO HUMANO — E JESUS É QUEM ME CONDUZ. (refrão final) Agora descanso em Jesus, no Deus que é puro amor, Jamais diferente disso conosco, seja onde for; Nele reconheço o Pai, misericordioso Salvador: DEUS É AMOR PARA SEMPRE, E O AMOR NÃO SE TORNA DESTRUIDOR

