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INSTRUMENTALIZAÇÃO DO EVANGELHO PARA ESCRAVIZAR CULTURAS

(estrofe 1) Contando o cristianismo... é lembrar quando a cruz cruzou distante mar, levando esperança a semear, mas também correntes a pesar. (estrofe 2) Muitos povos abriram o coração, oferecendo canto, terra e valor, mas receberam imposição vestida com palavras de amor. (estrofe 3) Línguas antigas silenciaram, como rios presos ao verão, enquanto costumes naufragaram na maré da dominação. (estrofe 4) Chamaram de santa obediência o abandono da própria raiz, como se a divina providência negasse o povo e seu país. (refrão) Mas Cristo não acorrenta nações, nem conquista pela opressão; seu Reino floresce em corações, livres na graça e na compaixão. (estrofe 5) O Evangelho, fonte cristalina, misturou-se ao barro imperial, e a mensagem que ilumina vestiu armadura colonial. (estrofe 6) A cultura virou prisioneira de decretos e catequização, como ave presa na ribanceira esquecendo a própria canção. (estrofe 7) Mas nenhuma língua é pequena quando aprende a amar e servir; Deus faz de cada alma um poema que nenhum império pode extinguir. (refrão) Mas Cristo não acorrenta nações, nem conquista pela opressão; seu Reino floresce em corações, livres na graça e na compaixão. (estrofe 8) O Carpinteiro da Galileia não impôs espada nem temor; lançou apenas a ideia de vencer o mal com amor. (estrofe 9) Seu convite nunca foi corrente, nem decreto de imposição; foi semente lançada à frente na liberdade do coração. (estrofe 10) Se a Igreja guardar memória do Mestre humilde de Nazaré, escreverá outra história onde a cultura caminhe com a fé. (refrão) Mas Cristo não acorrenta nações, nem conquista pela opressão; seu Reino floresce em corações, livres na graça e na compaixão.