
(estrofe 1) No meio do caminho surgiu interrogação, Uma voz feminina rompeu a submissão, E disseram que o céu respondeu com rigor, Ferindo com doença quem ousou contestar o líder e seu valor. (estrofe 2) Miriã falou palavras que nasceram da razão, Questionando caminhos, liderança e direção, Mas transformaram seu gesto em grave rebelião, Como se perguntar ferisse o coração da criação. (estrofe 3) Então veio a lepra como marca da punição, Ligando enfermidade à suposta transgressão, E eu temi durante anos pensar ou discordar, Achando que Deus podia por isso me esmagar. (estrofe 4) Mas algo em mim sofria ao ouvir tal narrativa, Se o Amor é perfeito, por que tornaria agressiva A dor de uma mulher que ousou refletir, Sobre aquilo que também precisava discutir? (refrão) Perdão Senhor, não és o Deus da repressão, Que castiga perguntas com humilhação, Em Jesus Cristo vejo escuta e compreensão, Teu Reino acolhe a voz e também a reflexão. (estrofe 5) Então Te vi cercado por dúvidas e perguntas, Homens frágeis, mulheres, multidões tão juntas, E nunca respondeste com desprezo ou punição, Mas com paciência, graça e revelação. (estrofe 6) Te vi conversando até com quem quis Te negar, E acolhendo Tomé antes dele acreditar, Pois Tua verdade não se impõe pela dor, Mas floresce no encontro sincero do amor. (estrofe 7) Ali percebi que líderes também podem falhar, E que ninguém deve oprimir para se preservar, Pois autoridade em Ti não nasce da imposição, Mas do serviço simples do coração. (refrão) Perdão Senhor, não és o Deus da repressão, Que castiga perguntas com humilhação, Em Jesus Cristo vejo escuta e compreensão, Teu Reino acolhe a voz e também a reflexão. (estrofe 8) Quantas Miriãs ainda vivem sem poder falar, Com medo das estruturas prontas para condenar, Silenciadas por sistemas que chamam de fé, Aquilo que no fundo é domínio que destrói e corrói o pé. (estrofe 9) Mas Tu não adoeces quem busca compreender, Nem feres a alma de quem tenta crescer, Pois o Teu amor não teme questionamento, E caminha conosco em todo amadurecimento. (estrofe 10) Hoje entendo que a fé não é prisão mental, Nem exige obediência cega e desigual, Mas um caminho vivo de verdade e luz, Revelado plenamente no amor de Jesus. (ponte) Falhei quando protegi líderes acima da compaixão, Quando aceitei o medo como forma de submissão, Quando pensei que autoridade viesse da intimidação, E não do cuidado humilde e da comunhão. (refrão) Perdão Senhor, não és o Deus da repressão, Que castiga perguntas com humilhação, Em Jesus Cristo vejo escuta e compreensão, Teu Reino acolhe a voz e também a reflexão. (refrão final) Hoje abraço minha voz sem medo de existir, Mesmo quando a tristeza insiste em me seguir, Escolho a alegria como forma de caminhar, E aprendo pouco a pouco o valor de me amar. (refrão final) Descanso em Ti, Jesus, ternura sem igual, Jamais serias medo, castigo ou tribunal, És Deus que acompanha com paciência e calor, E nunca deixarias de ser infinito amor.

