
(estrofe 1) Ainda escuto vozes que o tempo não calou, Palavras de outros dias que a memória conservou; Algumas eram ternura, outras traziam direção, E todas deixaram marcas dentro do meu coração. (estrofe 2) Havia apelidos feitos somente para brincar, Jeitos tão particulares de alguém me chamar; Hoje, quando os recordo, quase posso perceber A pessoa que os dizia novamente a me reconhecer. (estrofe 3) Conselhos que pareciam pequenos naquele instante Tornaram-se importantes quando a vida foi adiante; Uma frase dita depressa, talvez sem intenção, Às vezes atravessa décadas guardada na recordação. (estrofe 4) Também existem palavras que eu preferia esquecer, Porque algumas feridas continuam a aparecer; Mas até essas vozes fazem parte do que sou, Pois minha história também guarda aquilo que passou. (refrão) Tenho saudades de mim e das vozes que ainda escuto, Das palavras do passado que atravessaram meu percurso; São expressões, são conselhos, são histórias de então, Que continuam conversando dentro do meu coração. (estrofe 5) Escuto a voz de quem me ensinou a perseverar, De quem dizia que era preciso continuar; E certas recomendações, que eu não quis compreender, Ganharam outro significado depois de muito viver. (estrofe 6) Recordo frases engraçadas que provocavam diversão, E outras que despertavam profunda reflexão; Algumas eram tão simples que quase não notei, Mas hoje reconheço o quanto delas necessitei. (estrofe 7) Há vozes de amigos que ficaram pelo caminho, De parentes que partiram, deixando seu carinho; E quando a lembrança traz seus modos de falar, É como se por um instante voltassem a conversar. (refrão) Tenho saudades de mim e das vozes que ainda escuto, Das palavras do passado que atravessaram meu percurso; São expressões, são conselhos, são histórias de então, Que continuam conversando dentro do meu coração. (estrofe 8) Minha própria voz também retorna em certas ocasiões, Relembrando antigas dúvidas, desejos e decisões; É como encontrar o jovem que um dia fui, Perguntando o que restou daquele sonho que construí. (estrofe 9) Nem toda voz merece hoje continuar a comandar, Pois amadurecer também é saber discernir e separar; Posso acolher o afeto, aprender com o que ouvi, E deixar ir as palavras que já não fazem parte de mim. (estrofe 10) Assim, as vozes antigas não precisam desaparecer, Podem ser compreendidas dentro do meu modo de ser; Guardo o que me fortalece, libero o que me feriu, E sigo escrevendo a história que minha vida construiu. (ponte) Lamento as vezes em que deixei de escutar As vozes boas que poderiam me ajudar; Também lamento ter deixado algumas lembranças partir, Quando nelas havia pedaços importantes de mim. (refrão) Tenho saudades de mim e das vozes que ainda escuto, Das palavras do passado que atravessaram meu percurso; São expressões, são conselhos, são histórias de então, Que continuam conversando dentro do meu coração. (refrão final) Hoje eu amo quem eu sou e escolho ser feliz, Guardo as vozes que me ajudam a ser quem sempre quis; Se a tristeza vier, não precisarei escondê-la, Mas minha alegria continuará acesa dentro dela.

