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MOSTRA-ME TEU ROSTO

V6-MINI

(estrofe 1) Mostra-me teu rosto ao romper da manhã, não como quem exige, mas como quem espera; quero conhecer a beleza que em ti se revela, como a luz que devagar atravessa a janela. (estrofe 2) Teu rosto é mais que desenho ou aparência, é mapa secreto da tua expressão; nele podem morar a alegria e a ausência, as marcas do tempo e a voz do coração. (estrofe 3) Quero olhar sem transformar-te em espelho, sem procurar em ti somente o que quero ver; amar é contemplar o outro de modo inteiro e deixar sua verdade livre para aparecer. (estrofe 4) Se trazes nos olhos alguma antiga tristeza, não escondas de mim aquilo que sentires; há beleza também na humana delicadeza de revelar as feridas sem precisar fingires. (refrão) Mostra-me teu rosto, deixa-me te conhecer, não apenas a imagem que o mundo desenhou; há muito mais em ti que os olhos podem ver, e o amor contempla aquilo que a vida revelou. (estrofe 5) Quero perceber teu sorriso espontâneo, aquele que não nasce para impressionar; como uma nascente que vence o subterrâneo, ele encontra seu caminho para então desaguar. (estrofe 6) Quero conhecer o rosto que se transforma, quando a alegria encontra lugar para ficar; e também aquele que, cansado da jornada, procura um silêncio onde possa descansar. (estrofe 7) Mostra-me teu rosto, sem máscaras ou molduras, sem precisar vestir aquilo que não és; o amor que é sincero acolhe as criaturas e não pede aparência para permanecer de pé. (refrão) Mostra-me teu rosto, deixa-me te conhecer, não apenas a imagem que o mundo desenhou; há muito mais em ti que os olhos podem ver, e o amor contempla aquilo que a vida revelou. (estrofe 8) Que meu olhar não seja lâmina nem sentença, nem procure defeitos para te diminuir; que seja uma janela aberta à presença, capaz de contemplar sem querer possuir. (estrofe 9) Teu rosto carrega histórias que desconheço, caminhos que somente tu podes contar; quanto mais te conheço, mais reconheço que amar também é aprender a escutar. (estrofe 10) Então mostra-me o rosto, querida amada, e deixa o encontro acontecer devagar; pois quando uma face é verdadeiramente contemplada, duas almas encontram um modo de se aproximar. (refrão) Mostra-me teu rosto, deixa-me te conhecer, não apenas a imagem que o mundo desenhou; há muito mais em ti que os olhos podem ver, e o amor contempla aquilo que a vida revelou.